ADALGIZA LEONEL
Wanderley (Fuoco) Campos
Adalgiza Leonel foi à praça e arrancou o véu.
E declarou aos quatro ventos todos os seus lamentos,
a todo povaréu:
“Eu não sou mulher do Raimundo, aquele infame vagabundo,
que deve a todo mundo,
não é nada meu.
Foi apenas um farsante, um caixeiro-viajante,
que disse ser príncipe e, antes,
mostrou-se reles plebeu.
Cedi aos seus encantos e com seu sorriso varonil, fez-me sonhar sonhos tantos!
Usou-me como quis e, depois,
sumiu.
Outrora tão amada, hoje sou ninguém. Malfalada e humilhada,
como todos fui enganada. Se tenho culpa,
todos também têm”.
Assim, Adalgiza de um para outro corria, tentando explicar seu malfado.
Mas, respondendo-lhe com ironia,
Exibiam-lhe um sorriso debochado.
E mais gente se ajuntava, como a uma romaria.
Tal que o murmúrio, de tão elevado, da cidade, no outro lado,
já se ouvia.
E eu, ali, mudo e paralisado. Quão pouca valentia!
Que não corri para Adalgiza, pois, num sobressalto a envolveria,
livrando-a de todo o povo.
E, por final, nos meus braços teria,
a mulher que um dia já foi minha,
de novo.